"O Porto e eu" apresentação na Cidade Invicta




Em meio aos festejos do São João do Porto, aconteceu na tarde de 21 de junho, a apresentação do livro de crônicas "O Porto e eu" de Thais Matarazzo. O evento teve lugar no Mural do Poeta, à Rua Duque de Loulé, n. 128 - um recanto cultural e literário da Cidade Invicta. 

Com organização da Código Simbólico Associação Sociocultural e da Editora Matarazzo, o lançamento contou com a apresentação do Conselheiro Durval de Barros, que podemos conferir a seguir.

"Boa tarde a cada um de vocês. Meu nome é Durval Carvalho de Barros.

É um prazer estar aqui no Mural do Poeta neste encontro com pessoas que participam de uma comunidade com que, como diplomata brasileiro função de Cônsul-Geral Adjunto no Porto, interajo em circunstâncias distintas, muito burocráticas ainda que necessárias, mas certamente bem menos estimulantes do que as desta tarde.

Agradeço o convite da associação Código Simbólico que recebi da sua dinâmica e caríssima presidente, Rosilda Portas, para apresentar o livro ”O Porto e eu...”, da autora brasileira Thais Matarazzo, publicado este ano em São Paulo.

Para não me alongar neste dia espetacular que temos hoje para desfrutar o Porto e este nosso encontro eu vou começar indo direto ao ponto: meu convite a vocês a que entrem neste livro. E para isso vou dizer brevemente o que ele me sugere.

Digo entrar no livro porque ele por si mesmo já convida a uma experiência que é mais do que a simples leitura. Vejo este livro como um objeto delicado que se entrega como pequeno presente ao leitor, uma lembrança para aqueles que conhecem e para os que não conhecem ainda o Porto.

Minha percepção, e aqui o abro para que vejam, é de que o livro lembra um cartão-postal. Um cartão-postal que mantém uma face fotográfica e outra, escrita. Um cartão-postal que se dobra e se multiplica em outros ao longo de 66 páginas.  

E também que se desdobra para seus leitores e os estimula a virem ao porto e verem a cidade. Ou, se calhar, a voltarem a ela. Digo cartão-postal, com muita saudade da beleza daqueles testemunhos afetivos de lugares que nos impressionavam e, por isso, enviávamos suas imagens com palavras que escrevíamos com carinho e cuidado para aquelas pessoas queridas. Tudo muito único num registro quase esquecido no mundo atual onde a percepção se fragmenta em milhares de registros imediatos a transitarem pela comunicação digital. 

Esta lembrança de ser um cartão-postal múltiplo que, por sua vez, lembra um Porto em suas múltiplas faces é um pouco da essência do livro, mas não toda.  O restante é o seu conteúdo informado e sensível.

Já as capa são sugestivas: a imagem da autora situa-se na paisagem mais representativa do Porto, que é seu objeto de observação. A ponte Luís I até a metade, que parte desta cidade para encontrar outra e encontrar muitas outras. Um discretíssimo casal de namorados que também se vê já em outro encontro. E a cronista que nos olha a observar, também com discrição, tudo aquilo que depois leremos na sua escrita. Na capa traseira, vemos a frente do “velho casario que se estende até o mar”, como diz a belíssima letra de Carlos Tê para a canção Porto Sentido que mais uma vez ouvi ontem no espetáculo do Rui Veloso na Praça da Liberdade, no Porto.

O título na capa frontal resume a imagem e as outras letras impressas na capa traseira expressam a visão do Príncipe dos Poetas Brasileiros, Paulo Bonfim, sobre a autora e o livro. E tudo isso confirma o convite ao conteúdo do livro.

Concentro-me na atratividade mais aparente para, de minha parte, também reforçar o convite. Logo na abertura do livro, a primeira foto convida a um passeio pela peatonal, um dos eixos essenciais daqueles que passeiam pela cidade. A rua de Santa Catarina será tratada depois num capítulo. A foto no verso da página é do relógio da Estação de São Bento, a marcar, há muito tempo, a hora da chegada e a da partida, momentos marcos da permanência que sempre deixará saudade em qualquer sensibilidade aberta.

Vejam que há sutileza logo na abertura. Depois, há também informação e sensibilidade. São dados que percebo como o complemento daquela parte da essência do livro que mencionei há pouco como incompleta. Um objeto-lembrança, um objeto-saudade, mas  com um conteúdo que se estende da breve história da cidade às primeiras, e outras mais recentes, lembranças da cronista; do rio Douro ao cais da Ribeira, do vinho do Porto ao seu povo acolhedor, gente com homenageada fidalguia como Fernando e Ana Pinto e D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal que de tão bem acolhido legou seu coração à cidade, outras lembranças e curiosidades na voz da cronista, como as relativas ao Terreiro da Sé  e a torre dos Clérigos, outros fortes símbolos da cidade, e sua visão sobre as afinidades e contrates entre o Porto e São Paulo.

“O Porto e eu”, em crônicas breves e fotos em preto e branco, traz de volta algo daqueles registros sensíveis das impressões de viajantes e do encanto com o amor à primeira vista, afirmado logo na Introdução do livro.

Não me estendo mais porque o livro, ele mesmo, com sua graça visual e expressão concisa, já é por si sedutor, o próprio convite a que o desfrutem, com as mãos, com os olhos e com nossa curiosidade. 

Há vários prismas da cidade do Porto do outro lado da travessia. Vamos a eles!".






O Conselheiro da Código Simbólico, Durval Carvalho de Barros

Durval Carvalho de Barros e Thais Matarazzo

Rosilda Portas, Durval Carvalho de Barros e Thais Matarazzo


Rosilda Portas, Alberto Guimarães e Thais


Thais Matarazzo entrega o "Diploma de Gratidão" a poeta Manuela Bulcão

Rosilda Portas recebe o "Diploma de Gratidão" da Editora Matarazzo

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