A outra face de Gardel




       Tratando-se este trabalho de uma obra antes de tudo investigativa, o autor teve o cuidado de enveredar pelos meandros de um vasto acervo de documentos, fotos e reportagens da época, bem como verificar versões que atribuem ao Zorzal crioulo ou Marocho de Abasto, entre outros apelidos carinhosos, a probabilidade de pelo menos três mães, três nacionalidades e outras tantas diferentes datas de nascimento.

         Como o leitor irá perceber, todas as dificuldades encontradas por Walter Manna nessa tarefa se devem principalmente às diversas interpretações e hipóteses existentes sobre a pessoa de Carlos Gardel, o que nos levou a percorrer esse labirinto e a estudar cuidadosamente autores conceituados que se dedicaram a decifrar sua misteriosa vida.

         Em meio às tentativas e artifícios utilizados pelo ídolo para apagar vestígios de sua origem, que na época poderiam prejudicar sua carreira, o pesquisador se defrontou com um emaranhado de interpretações e documentos contraditórios, que Gardel obtinha por influência de um amigo uruguaio de grande poder na Polícia Argentina, ora para se livrar do serviço militar, ora para poder permanecer na Argentina ou obter passaportes, ora para encobrir delitos, ora para se fazer passar por Charles Romuald Gardes, morto durante a II Guerra Mundial, filho legítimo de sua mãe adotiva, a francesa Berta Gardes.

         Em relação a Romuald, até hoje se costuma confundir um personagem com outro, tanto que durante muito tempo Gardel ficou conhecido em Buenos Aires como "El Francesito". Mas por meio de comparações fotográficas foi possível perceber a diferença entre os dois meninos, visível para qualquer observador atento.           

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