O Rei do Cangaço


Por Márcia Villaça da Rosa

A Literatura de Cordel é uma das mais expressivas representações da história da arte brasileira. Arte popular estampada em folhetos apregoados em cordas, os famosos cordéis, tem se desenvolvido ao longo dos séculos. Na época da Trovadorismo português, o autor Gil Vicente ministrou a arte de fazer cordéis com primor. A época do Renascimento, que promove a valorização da natureza e da mitologia greco-romana, no século XVI, estes folhetins passam a registrar contos e causos orais, peças de teatro, lendas e folclore nacionais. A partir do século XVIII, o aparecimento de contadores de história conhecidos como "repentistas" torna a arte de versejar um hábito social. Idealizada em versos rimados, em quadra, sextilha, septilha, oitava e décima, entre outros recursos estilísticos, a Literatura de Cordel aborda temas diversificados, como religiosidade, situações cotidianas, folclore, entre outros.

Expoentes como Leandro Gomes de Barros (1865 - 1918) - conhecido como o cordelista paraibano mais importante na seara do Cordel; José Camelo de Melo Resende ( 1885 - 1964), autor de O Romance do Pavão Misterioso, obra adaptada para televisão; João Martins de Athayde (1880 - 1959), editor e divulgador do tema cordelista; Nicandro Naves da Costa (1829 - 1919) e Inácio Catingueira (1845 - 1878), são alguns dos autores repentistas, que, com linguagem coloquial, buscam em suas obras representar os interesses das classes menos abastadas, valorizando e inovando a cultura popular. O próprio histórico personagem brasileiro conhecido como Lampião (Virgulino F. da Silva), o Rei do Cangaço, junto com sua mulher Maria Bonita, foi alvo dos cordelistas bem como sua biografia tem sido tema para documentários, vídeos e programas televisão.


"... a Literatura de Cordel é uma ramificaçao das formas poeticas populares...", declara o estudioso Marco Haurélio Fernandes Faria, 45 anos, formado em Letras pela (UBE - Universidade da Bahia), autor do blog Marco Haurélio e de obras sobre cordel, tais como Breve História da Literatura de Cordel (editora Claridade), Literatura de Cordel - do sertão a sala de aula (editora Paulus) e Antologia do Cordel Brasileiro (editora Global). O autor tambem ministra palestras e cursos sobre o tema. Tal qual Marco Haurélio, o cearense Antônio Klevison Viana, 47 anos, responsável pela editora Typinanquim, também tem contribuído para cultura do cordel. Segundo Klevison: "... a literatura popular em verso passou por diversas fases de incompreensão e vicissititudes no passado. Ao contrario de outros paises, com México e Argentina, onde este tipo de produção literária e normalmente aceita e incluída nos estudos oficiais de literatura, no Brasil, apesar da maciça bibiografia crítica e da vasta produção em folhetos - cerca de 30 mil folhetos e de 2 mil autores "cordelistas" - a Literatura de Cordel continua ainda desconhecida por boa parte do público em geral, devido a efêmera distribuição de folhetos", argumenta o poeta.


Para melhor conhecer o tema, aqui vão algumas dicas:


Acesse o link - http://ww.acervoantonionobrega.com.br

- Instituto Brincante
- Blog do professor e autor Marco Haurelio Fernandes Faria
- Fundaçao Casa de Rui Barbosa

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