Fundação Eça de Queiroz sedia em junho evento que enfoca a importância da gastronomia nas obras do escritor Queirosiano

 

Fundação Eça de Queiroz 
Foto divulgação

Por Márcia Villaça da Rosa

 O escritor e diplomata português José Maria Eça de Queiroz, nascido em Póvoa do Varzim, em 25 de novembro de 1845 e falecido em 16 de agosto de 1900, autor de obras como O Primo Basílio (1878), A Relíquia (1887) e A Cidade e as Serras (1901), entre outras obras-primas, tem sido objeto de estudo de muitos estudantes de Letras e áreas afins.

O estilo de escrever adepto ao realismo, escola literária que se preocupou em destacar a racionalidade, o cientificismo e a objetividade como suas características, e que se opõe ao Romantismo, alia o autor de tantas obras a outros exponentes da literatura portuguesa, tais como Antero de Quental (1842 - 1891) e Guerra Junqueiro (1850 - 1923), companheiros literários de Eça, os quais partilhavam os mesmos ideais culturais e artísticos.

A Fundação Eça de Queiroz, fundada em 9 de setembro de 1990 por parentes do escritor, sediada  em Quinta de Vila Nova, concelho de Baião, também conhecida como Casa de Tormes (local de morada de Eça de Queiroz), atualmente tem como diretor Afonso Reis Cabral, trineto do escritor, e Anabela Cardoso, diretora executiva do local, tem sido palco de eventos culturais os quais memoram a importância e o legado deixados pelo escritor.

O local, aberto aos visitantes das mais distintas origens, constitui-se de uma casa-museu com objetos pessoais do autor (monóculo, luneta, relógio, entre outros), retrato a óleo do avô paterno, fotos de parentes e amigos, a biblioteca do escritor com os 385 livros que lhe restaram depois de um roubo que sofreu em Lisboa em 1915, a cama em que faleceu, mobiliários pessoais - sala de estar e de jantar, mesas, secretaria em que escrevia em pé, móvel-arquivo de documentos  e notas, baú-cofre, estatueta-caricatura em bronze do escritor assinada por Francisco da Silva Gouveia, entre outras curiosidades ofertadas aos curiosos visitantes do local.

Próximo a Casa de Tormes, encontra-se a Igreja de Santa Cruz, em cujo cemitério estão os ossos de Eça de Queiroz. Um destino turístico de relevante interesse para os amantes da obra querosiana e publico em geral.

Durante este ano corrente de 2022, entre os dias 18 e 22 de julho, a Fundação Eça de Queiroz sedia o evento "A comida e o vinho na obra de Eça e no Panorama Oitocentista Europeu", o qual pretende "... destacar a relevância do elemento gastronômico na realidade da sociedade portuguesa da segunda metade do século XIX...", segundo Sandra Melo, atual técnica cultural da Fundação Eça de Queiroz. Também vale frisar que as preferências alimentares caracterizam personagens da obra queirosiana, um DISTINTIVO entre as classes mais e menos abastadas. Deste modo, os hábitos alimentares passam a ser um constitutivo de seu universo criativo, o qual introduz produtos típicos da gastronomia portuguesa. Iguarias como o bacalhau, o arroz de forno, as queijadas de Sintra, entre outros quitutes, fazem parte do cenário literário e artístico o qual o escritor português convida seu público-leitor a adentrar, bem como o vinho, principalmente o vinho verde, outro elemento presente em suas obras.

Para os leitores mais curiosos, visitar o site da Fundação Eça de Queiroz pode ser um convite ao aprofundamento nas obras do realista português ou, para os mais ousados, planejar uma viagem a terras lusas, e visitar o local!

O escritor Eça de Queiroz

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